sábado, 10 de dezembro de 2011

Carta escrita por Samantha Yagmur, antes de seu suicídio. Três dias após sua morte, vizinhos desconfiaram sobre o desaparecimento da moça e chamaram a polícia. Ao invadirem o apartamento da moça, encontraram a carta com alguns respingos de sangue seco sobre a cama e rastros de sangue que levaram até o corpo de Samantha, na banheira. No envelope da carta, Samantha escrevinhou um endereço do qual queria que a carta fosse entregue ao ser encontrada. 
     Italia, 14 novembre 1992 - 03:30Querido Victor,
   Ainda recordo-me do teu perfume, um perfume forte, viciante, que atraía-me para teus braços. Lembro-me que tu só compraras perfumes importados, pois tu dizias que eram os melhores. Recordo-me daquela tua camisa preferida, uma camisa branca, muito fina, mas que ficava perfeita em ti. Lembro-me que aquela camisa é a tua preferida, pois foi a camisa que usara no dia do nosso primeiro encontro. Aquela noite foi perfeita, para mim. Sempre gostei daquele restaurante, pois ali sempre teve comidas ao meu paladar. Recordo-me também de tua música favorita - que não se cansara de ouvir. Tu tinhas todos os discos, soubera todas as letras e não se cansara de ouvi-las. Recordo-me também da tua bebida favorita. Tu gostaras de degustar um bom vinho enquanto conversávamos sentados no chão, em frente a mesa de centro da sala. Recordo-me de muitos detalhes teus, meras e vagas lembranças que atormentam minha vida, hoje. 
   Há dias não durmo, não sinto sono muito menos vontade de viver. Principalmente quando recordo-me das tuas falsas promessas e juras de amor, que me fizeram acreditar que o que houvera entre nós, seria para sempre. Lembro-me quando tu chegaras em casa e me trouxera um lindo anel com uma pedra Rubi. Aquele anel era a coisa mais perfeita que já vi. Ainda tenho, estás guardado junto ás minhas outras jóias e bijuterias, das mais caras as mais baratas. Tu disseras que aquele anel, era uma prova de amor. Nossa prova de amor! Um amor inexistente, um amor confuso, complicado, desconhecido. Um amor… que não sei se poderia chamar de amor. Mas, irei lhe confessar querido… Sinto falta. Sinto falta de mim, de você, de nós.
   Tua partida tem me afetado, dia após dia. Já não suporto toda esta angústia e desespero. Esta, será minha última tentativa de que tu me entendas, entendas como me sinto, como estou, quem sou agora. Cansei de monologar histórias nossas, que sei que não poderão voltar.Victor, tu se lembras do nosso último abraço as palavras que lhe disse? Lembro-me que foi um abraço forçado, mas minhas únicas palavras foram Eu sempre lhe amarei querido. Tu se lembras? Isso, eu nunca menti para ti, nunca. Todas as minhas juras de amor, todas as minhas palavras, frases clichês que lhe faziam sorrir… Jamais querido, jamais menti e escondi sobre meu amor por ti.
   Quero que relembre tudo que passamos juntos. Cada sorriso, cada cochicho, cada abraço, cada beijo caloroso. Quero que relembre daquela noite em que passamos com corpos juntos, respiração ofegante, pensamentos longes e atos agradáveis. Carícias, afetos…Relembre, só lhe peço. Não esqueça tudo que passamos em um canto qualquer. Guarde consigo, em teu coração e em teus pensamentos, nossos momentos. Pois onde estarei, sei que estarei em paz, contigo em meu coração. Por mais que ele houvesse parado de bater, minha alma ainda lhe guardará, como umas das mais belas lembranças
   Desejo-lhe toda felicidade do mundo, mas não se esqueça que até o último segundo de minha vida eu te amei…
                 Com lágrimas e amor, Sam Yagmur “ —  Invisible Princess 

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